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domingo, 17 de fevereiro de 2013

Em água e vinho se definem os homens


     Passei o domingo trabalhando em dois projetos bastante diferentes entre si. Um mais próximo da minha realidade, mas muito desafiador, o outro de um universo totalmente diferente. Para os dois preciso sair da “minha caixa” um para ver além, outro para tentar alcançar o ponto de vista do segmento.
       Pensei: “assunto do post de hoje será diversidade!”. Mas ao tentar escrever, nada de interessante se materializava. Então me lembrei de quando fiz um curso de poesia com o Ronald Augusto. Ele insistia para que eu ensaiasse alguns versos, mas eu estava ali para estudar e entender um pouco mais de poesia. Disse a ele: “Respeito tanto a poesia e acho que existem tantos bons poetas que não vou ferir esta arte com tentativas rotas de quem não está tratando esta arte com a devida seriedade.” Ele entendeu e respeitou.
          Hoje estou assim: como não tenho nada de interessante para escrever, vou reproduzir um dos textos mais lindos e delicados que conheço que falam de diversidade.

Homens - Cora Coralina

Em água e vinho se definem os homens.

Homem água. É aquele fácil e comunicativo.
Corrente, abordável, servidor e humano.
Aberto a um pedido, a um favor,
ajuda em hora difícil de um amigo, mesmo estranho.
Dá o que tem
– boa vontade constante, mesmo dinheiro, se o tem.

Não espera restituição nem recompensa.
É como água corrente e ofertante,
encontradiça nos descampados de uma viagem.
Despoluída, límpida e mansa.
Serve a animais e a vegetais.
Vai levada a engenhos domésticos em regueiras, represas e açudes.
Aproveitada, não diminui seu valor, nem cobra preço.
conspurcada seja, se alimpa pela graça de Deus
que assim a fez, servindo sempre
e à sua semelhança fez certos homens que encontramos na vida
– os Bons da Terra — Mansos de Coração.
Água pura da humanidade.

Há também, lado-a-lado, o homem-vinho.
Fechado nos seus valores inegáveis e nobreza reconhecida.
Arrolhado seu espírito de conteúdo excelente em todos os sentidos.
Resguardados seus méritos indiscutíveis.
Oferecido em pequenos cálices de cristal a amigos
e visitantes excelsos, privilegiados.
Não abordável, nem fácil sua confiança.
Correto. Lacrado.
Tem lugar marcado na sociedade humana.
Rigoroso.
Não se deixa conduzir — conduz.
Não improvisa — estuda, comprova.
Não aceita que o golpeiam,
defende-se antecipadamente.
Metódico, estudioso, ciente.

Há de permeio o homem vinagre,
uma réstia deles,
mas com esses, não vamos perder espaço.
Há lugar na vida para todos.


domingo, 11 de novembro de 2012

Aprendendo com a Lavadeira

Que treinamento é a melhor alternativa para o desenvolvimento e aprimoramento das pessoas, imprescindível no dia a dia das organizações, todos concordam!
Porém, mais do que aderir ou verbalizar sua fé na prática, é preciso entendê-la como instrumento transformador, atentando-se para todos os aspectos que a envolvem.
Entender que nem todo mundo é um treinador em potencial e que a parte técnica é apenas uma, em minha opinião, é ponto de partida. Já presenciei situações onde o profissional que detinha toda a tecnologia do processo não conseguia transmiti-la aos seus colegas. Resultado: frustração dos dois lados.
O planejamento do treinamento deve contemplar habilidades individuais, características culturais, volume de informações x tempo, aspectos práticos e subjetivos. Teoricamente parece bastante simples, mas somando tudo isso às atividades, metas e prazos diários das empresas, a coisa costuma complicar.
            A solução é tentar tornar o treinamento orgânico à rotina da empresa. Aqui não estou pregando o fim dos departamentos ou profissionais dedicados à função, mas o entendimento que esta não pode ser uma responsabilidade exclusiva deles. É bom pra todos!
          Como escreveu a lavadeira, minha poetisa preferida, Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.